terça-feira, 1 de setembro de 2009
Coisas que andei sublinhando por aí
"Nenhuma palavra dói mais que a ausência de palavras. Você não é tolo e sabia muito bem disso. Você me impunha um silêncio devastador. Sumia, não dava notícias, fazia de propósito, queria me ver chegar perto da morte, paralisada, sem forças. Eu esperava o telefone tocar, ele não tocava. E se porventura tocasse não era a sua voz que eu escutava. Esperava o apito do meu computador avisando a chegada de um novo e-mail, ele não apitava. Esperava uma carta, um sinal de fumaça, uma mensagem no celular, esperava que você aparecesse e trouxesse consigo alguma palavra. Esperava e esperava e esperava. E você não vinha. "
A chave de casa - Tatiana Salem Levy
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"É esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram, acabo de lembrar que Matilde vai sumir para sempre"
Leite derramado - Chico Buarque
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"Virão outros acidentes, imagino. Parecidos, se não piores.
Aproximei minha boca da sua. E fechei os olhos, para que suas pupilas abertas não me engolissem para o lugar onde ele se encontrava.
Escutei tudo sem erros, de modo que, após poucos minutos, tudo tinha cumprido as melhores expectativas.
Conseguira dar-lhe um pouco dessa existência trêmula que levo. Pois ele voltou à vida, com algo meu alojado em seu corpo. Minha alma, diriam os antigos filósofos."
A neve ilícita - Prisca Agustoni
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"Estudar literatura em uma universidade é como morder o lado mais amargo do pepino."
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Minha querida Sputnik - Haruki Murakami
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"É a primeira vez que nada ocorre em seu sonho. Sente o desejo de correr por Mavrak atrás de alguém, algo, um evento, um sinal. Grande ou pequeno, tanto faz, desde que significativo. A cidade parece não permitir que a calmaria desça do trono.
O aumento gradual da luminosidade indica que Juan despertará em instantes. O ideal seria não recordar do sonho. Há algo mais assustador que o nada?"
Areia nos dentes - Antônio Xerxenesky
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"será que ela pensa em mim
será que também pergunta
o que aconteceu
com as boas garotas
de sodoma, essas que
sempre
se beijavam nas escadas
sumiam nas bibliotecas
preferiam virar sal?"
Rilke shake - Angélica Freitas
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"Senti-me desfalecer. Sim, eu completara dezoito anos e nunca tivera uma mulher. Dagmar conduziu-me pela mão através de um labirinto de corredores e quando dei por isso estava, estávamos ambos, num quarto enorme, assombrado por graves espelhos. Então ela esgueu os braços sem nunca deixar de sorrir e o vestido deslizou-lhe num mumúrio até os pés:
- A castidade é uma agonia inútil, garoto, eu corrijo-a com prazer."
O vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
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"Atribuir um propósito superior a um lance qualquer da vida é construir uma ficção muito pessoal. Dar sentido ao mundo é um ato criativo. Uma visão de mundo é uma narrativa."
Cordilheira - Daniel Galera
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Um par
Primeiro
Ser sujeito de todos os verbos
que transitem à margem do indecifrável:
no perdido da palavra anterior,
na linguagem clara das ações
ou na galáxia de próprio universo.
Transcrever cada mágoa imperdoável
de modo que a metáfora do rancor
busque - longe de nós - outras significações.
Não respeitar a cartografia poética,
e fazer com que cada rima
seja um caminho alternativo ao amargo
e persistente gosto do não ser.
Para romper da vida a métrica,
triturando calendários e sua sina,
há que assumir dever do cargo
de ócio e prazer. Escrever
como se possuísse a palavra
e esta voltasse, depois de desdobrada,
pródiga e aflita à palma da mão.
Segundo
Mas então haverá verso
no passo além da palavra
diante de espelhos paralelos?
Se descentro o léxico
e a memória faz dele escada
desconstruo o projeto?
Então trato feito,
traçando ímpar viagem
sem tempo de desistir.
Deslocado o verso, estreito,
não leva mais só linguagem.
Agora só falta ir.
.
Ser sujeito de todos os verbos
que transitem à margem do indecifrável:
no perdido da palavra anterior,
na linguagem clara das ações
ou na galáxia de próprio universo.
Transcrever cada mágoa imperdoável
de modo que a metáfora do rancor
busque - longe de nós - outras significações.
Não respeitar a cartografia poética,
e fazer com que cada rima
seja um caminho alternativo ao amargo
e persistente gosto do não ser.
Para romper da vida a métrica,
triturando calendários e sua sina,
há que assumir dever do cargo
de ócio e prazer. Escrever
como se possuísse a palavra
e esta voltasse, depois de desdobrada,
pródiga e aflita à palma da mão.
Segundo
Mas então haverá verso
no passo além da palavra
diante de espelhos paralelos?
Se descentro o léxico
e a memória faz dele escada
desconstruo o projeto?
Então trato feito,
traçando ímpar viagem
sem tempo de desistir.
Deslocado o verso, estreito,
não leva mais só linguagem.
Agora só falta ir.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
Sem lirismo
Outro dia
e o gosto
de agressiva presença
escorrendo
nos corredores
da memória.
E espero
antes do desejo impresso
nas tardes
de outras vidas
o encontro.
Havia o nome
inscrito
no verso de um livro
os versos do amor
que pensa
(só pensa)
que acabou.
Nossa estória
sem nenhum lirismo
apenas o compromisso
de se perder
pra sempre.
E é uma pena que hoje
entre todas as pessoas do mundo
você seja
apenas
mais
uma.
.
e o gosto
de agressiva presença
escorrendo
nos corredores
da memória.
E espero
antes do desejo impresso
nas tardes
de outras vidas
o encontro.
Havia o nome
inscrito
no verso de um livro
os versos do amor
que pensa
(só pensa)
que acabou.
Nossa estória
sem nenhum lirismo
apenas o compromisso
de se perder
pra sempre.
E é uma pena que hoje
entre todas as pessoas do mundo
você seja
apenas
mais
uma.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
Estádio
No delimitado círculo de vidro,
a moldura espreme um universo
onde, alheio a meu querer, gravito
junto ao outro eu. Paralelos
nós dois, precisa simetria.
Justa e exata a dualidade
desse espectro: segunda via
que é e sendo não se sabe.
Por que não a desarmonia
de ser diverso em frente a mim?
Mas buscando a etimologia
de quem sou, encaro-o. E assim
recomeço a cada manhã
a estranha sensação de me rever.
Demorei demais a ler Lacan
e ainda me assusta esse meu doublé.
.
Esse poema foi escrito ontem, como exercício da oficina de criação poética que estou fazendo aqui na Flip, ministrada pelo poeta Carlito Azevedo. O exercício era aparentemente simples: escrever um poema com o tema "espelho".
a moldura espreme um universo
onde, alheio a meu querer, gravito
junto ao outro eu. Paralelos
nós dois, precisa simetria.
Justa e exata a dualidade
desse espectro: segunda via
que é e sendo não se sabe.
Por que não a desarmonia
de ser diverso em frente a mim?
Mas buscando a etimologia
de quem sou, encaro-o. E assim
recomeço a cada manhã
a estranha sensação de me rever.
Demorei demais a ler Lacan
e ainda me assusta esse meu doublé.
.
Esse poema foi escrito ontem, como exercício da oficina de criação poética que estou fazendo aqui na Flip, ministrada pelo poeta Carlito Azevedo. O exercício era aparentemente simples: escrever um poema com o tema "espelho".
terça-feira, 23 de junho de 2009
soneto do pretérito imperfeito
para Harian e Marla
ainda oitava série talvez fim de fevereiro
segunda sala à esquerda o desmedido corredor
trinta de nós e nossos corpos olhos e anseios
espreitando nervosos o futuro e o sabor
do meio dia no ônibus duzentos e vinte e dois
que nos levava perto e ainda longe pra ler
palavras que vibrando dez anos depois
em versos alheios nos fariam entender
que já sabíamos mesmo que com a ânsia
parva e desenfreada de quem nada sabe
a vida era aquele agora e a desordem
do hoje é porque damos importância
a tudo mas de repente ficou tarde
e não dá mais tempo de morrer jovem
.
Obs: se você é curioso como eu e quer saber quais são os "versos alheios", clica aqui.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Elegia 2008

Os olhos do teu século não puderam ver
a ruína de Manhattam lentamente se anunciar.
Mas se aqui estivessem, escusado dizer:
a pior moléstia, em verdade, está
na existência passivamente contaminada
pela obscena indiferença dos dígitos,
com a precisão de traço do nada,
buscando absolvição nos livros.
Mas a teoria ignora as respostas
e não há palavra que destrua as pontes
do não ser. Quase nada mudou nas rotas
ainda absurdas do grande mundo, onde
hoje tiramos fotografias a teu lado
– esvaziada idolatria de fim de semana –
enquanto você apenas dá as costas, Carlos,
para o mar, hoje opaco, de Copacabana.
.
Obs: Eu sei que todo mundo percebeu, mas não custa dizer que esse poema é uma pretensiosa tentativa de diálogo com esse outro poema aqui.
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domingo, 7 de junho de 2009
Rascunho
... e o lápis correndo agora no papel
são, em verdade, meus lábios
traçando aos poucos nos seus cabelos
detalhes no plano do nosso desejo.
E dizendo:
- Ninguém predestina o desencontro,
há sempre outra página: o epílogo.
Vem comigo
ser mais que a possibilidade do impossível,
fazer o interdito dos sentidos
surgir e pertencer
a nós.
.
Obs: Descobri quinta-feira passada, ao participar do microfone aberto do Eco-performances poéticas, que dos poemas que já escrevi, esse é o único que sei de cor. Até passei a gostar mais dele, só porque "de cor" vem do latim de cuore, o que siginifica que esse é o único dos meus textos que sei "de coração" (bonito isso, né? pois é, também achei).
são, em verdade, meus lábios
traçando aos poucos nos seus cabelos
detalhes no plano do nosso desejo.
E dizendo:
- Ninguém predestina o desencontro,
há sempre outra página: o epílogo.
Vem comigo
ser mais que a possibilidade do impossível,
fazer o interdito dos sentidos
surgir e pertencer
a nós.
.
Obs: Descobri quinta-feira passada, ao participar do microfone aberto do Eco-performances poéticas, que dos poemas que já escrevi, esse é o único que sei de cor. Até passei a gostar mais dele, só porque "de cor" vem do latim de cuore, o que siginifica que esse é o único dos meus textos que sei "de coração" (bonito isso, né? pois é, também achei).
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
O dom
para as meninas da Matilda
Partitura: mar
não se divisa aqui,
verso de Minas se faz
dessa ausência.
Música e letra, par.
(instrução - não diluir)
Dispara e flui, me traz
a nota extensa.
Melodia em mim
mais que som, tato.
Escorre acorde,
mote e corpo inteiro.
Instrumento assim
o dom, consumado.
Na voz do toque
o sopro. Sem entremeio.
Delas, o samba
e, não por acaso,
"o amor,
o sorriso
e a flor".
.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009
Manual
Escusado moldar
partida metrificação.
Cortar no meio verso
e erguer muro
de (in)concreto sal
e regência.
Será proveito calcular
traço de planificação
e enviar sentido
dobrado em papel
onde não cabe
essência?
Antes rasgar os mapas.
Subverter a forma
é tiro na luz.
Ritmo pede
mais que ar:
asa.
Signo quer
o universo
ou nada
Torna-se a carne verbo.
(vida é no imperativo)
Amor, palavra.
partida metrificação.
Cortar no meio verso
e erguer muro
de (in)concreto sal
e regência.
Será proveito calcular
traço de planificação
e enviar sentido
dobrado em papel
onde não cabe
essência?
Antes rasgar os mapas.
Subverter a forma
é tiro na luz.
Ritmo pede
mais que ar:
asa.
Signo quer
o universo
ou nada
Torna-se a carne verbo.
(vida é no imperativo)
Amor, palavra.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Inspiração
Ela me chama pra sair e isso me chateia. Não tenho tempo, tenho muito que escrever e não posso desperdiçar meus pensamentos com coisas sem importância. Mas estamos naquela fase delicada do relacionamento na qual é necessário tomar cuidado com tudo o que dizemos um para o outro e vive-se suspenso, com um pé no chão e o outro no abismo, sabendo que qualquer mínimo desentendimento pode acarretar um fim. Uma resposta negativa da minha parte a faria refletir sobre coisas nas quais eu não quero que ela pense, portanto não posso recusar o convite. E vou.
Quarta-feira à noite, bares cheios. Nessa cidade não se tem nada pra fazer, então todo mundo acaba indo beber mesmo. Chegamos, sentamos. Pedimos uma cerveja.
Ela começa então a fazer o que mais gosta: falar. E como ela fala. Em alguns momentos até gagueja, engasga, atropela as palavras, que saem de sua boca assustadas e emboladas umas com as outras... ela não para de falar. Acho que ela pensa muito e muito rápido, por isso, ao encontrar com alguém tem a incontrolável necessidade de despejar todos os seus pensamentos. Infelizmente, quase nada pode ser aproveitado. Em certo momento, capto uma frase dela que parece se encaixar perfeitamente no perfil de um personagem de uma das minhas estórias... mas em uma fração de segundo essa impressão passa. Percebo que na verdade era uma frase boba, uma reflexão superficial e eu jamais escrevo coisas bobas ou superficiais.
O tempo vai passando... tomamos mais uma, duas cervejas e ela pede uma porção de qualquer coisa. Fumo um cigarro atrás do outro, esta situação está me afligindo. Lembro do meu conto que já está quase na metade. Estou trabalhando nele há semanas e sei que ele está beirando a perfeição. Escrevo muito bem, isso é fato. E esse conto é provavelmente a melhor coisa que já escrevi. Ainda não está pronto, mas eu sei... pressinto a emoção que as pessoas sentirão ao lê-lo e já posso ver as expressões de admiração se virando em minha direção. Esse pensamento me anima e peço mais uma cerveja. Já que terei mesmo que ficar ali com ela por um tempo, o álcool me ajudará a suportar e não me desesperar diante do tempo perdido.
Aos poucos a cerveja vai agindo e vou me soltando. Mas continuo calado, ouvindo-a falar. Dentro da minha mente se agitam estórias, personagens, frases de efeito e figuras de linguagem que tão bem se encaixariam na minha obra-prima. Penso que poderia anotar essas idéias na agenda ou até mesmo em um guardanapo, mas não o farei, pois além de não conseguir escrever desta maneira fragmentada, sei que ela ficaria ofendida, pensando que eu não estava prestando atenção em nada do que ela dizia - o que era verdade.
Me mexo na cadeira, mudo de posição. O incômodo não vai embora. Noto que idéias brilhantes começam a surgir na minha cabeça, mas quanto mais eu penso que preciso não esquecê-las, mais geniais e velozes elas lampejam dentro da minha mente. Me desespero:
- Não tô me sentido muito bem, vamo embora?
- Mas já? O que que você tem?
- Não sei... preciso ir embora. Ô garçom! A conta, por favor.
O cara traz a conta e me atrapalho pagando. Conto o dinheiro errado por três vezes, a inspiração não me deixa pensar. Cometo o erro imbecil de tentar lembrar uma das primeiras idéias que haviam passado na minha cabeça há uma meia-hora atrás e percebo que não faço a mais a menor noção do que era. Sei que tinha a ver com uma mulher... sim, uma mulher passou e eu pensei que... o que eu pensei? Pensei que a minha personagem, a mulher protagonista do meu conto poderia... poderia o quê? Me rendo à falta dessa memória, mas persisto em ir embora, pois nem paro de tentar lembrar o pensamento relativo à mulher que passou e mais uns outros quatro - dois regulares, um bom e um excelente - já invadem minha cabeça. Vou enlouquecer. O garçom demora pra pegar a conta de volta, e ainda falta o meu troco.
Nesse momento me dou conta de que ela tinha parado de falar. A última coisa que havia dito tinha sido a pergunta sobre o que eu estava sentindo. E ela tinha ficado me observando, visto minha pressa, meu desespero, minha ansiedade em sair dali. Pressinto o perigo antes mesmo de ela começar a falar. E quando ela recomeça o tom da conversa mudou e confirma justamente o que eu temia:
- Por que a pressa?
- Não estou me sentindo bem.
Silêncio. Chega o garçom com o troco.
- Você tem algum compromisso?
- Não... quer dizer, é... bom eu preciso fazer algumas coisas e...é, tenho sim.
Esqueci de explicar que trabalho com computadores, sou técnico em informática. A literatura nada tem a ver com meu trabalho e não contribui com meu sustento. Nunca publiquei nada, mas escrevo muito bem e sei que tenho um talento fora do comum com as palavras. Quero terminar logo de escrever alguns contos sobre os quais estou trabalhando e sei que editora nenhuma os recusará, pois meu estilo é totalmente revolucionário e estou destinado a ser reconhecido com um grande escritor. Não vejo a hora de largar os fios, programas, modens e números e poder me dedicar plenamente às minhas obras. Mas por enquanto sou um incompreendido. Ninguém entende por que deixo de sair e fazer outras coisas para ficar enfiado em casa escrevendo. Encaram minha vocação literária como um mero passatempo, até porque ninguém jamais leu nada que escrevi. Minha namorada também não entende, e dizer a ela que eu tenho que ir embora escrever seria o mesmo que largá-la sozinha em um lugar qualquer dizendo que preciso urgentemente jogar vídeo-game.
De fato tudo que eu precisava agora era perder ainda mais tempo me justificando para uma pessoa que não entende a importância da literatura na minha vida, penso irritado. Tento achar na minha mente, no meio das idéias que em alta-velocidade transitam através dela, uma frase com a qual eu possa me livrar daquele constrangimento e que termine com esse dilema o mais rápido possível. Infelizmente, quando me preparo para iniciar a explicação irretocável que convenceria minha namorada de que, apesar de amá-la profundamente, preciso desesperadamente escrever neste exato momento, tenho uma inspiração tão extraordinária que perco o fio da meada e apenas gaguejo algo parecido com “é que... hum... é...”.
Ela então enfim dá aquele passo em direção ao abismo que eu falei anteriormente e, tentando disfarçar uma lágrima - o que, apesar de ser um clichê, renderia uma bela imagem poética - levanta-se da mesa.
O troco chega, levanto-me também e vamos andando juntos, sem dizer nada. De repente ela me olha. E diz:
- Então é aqui que nos despedimos.
Na verdade ela estava me dando a chance de, com algumas palavras, reverter aquele quadro problemático e recuperar com ela a minha imagem que no momento devia ser a pior possível: a de um namorado que, entre outras coisas do passado das quais não cabe falar nesse momento, tem o costume de ignorar a namorada em mesas de bar pela cidade afora, enquanto pensa em um mundo completamente distante daquilo que os dois vivem naquele momento. Um mundo superior, cuja maior superioridade reside no simples fato de não existir.
Ela me deu a deixa e naquele momento, apesar de um pensamento digno de figurar em um ranking das maiores inovações literárias dos últimos tempos ter invadido minha mente, procuro afastar tudo que me distraía e pensar somente no que dizer a ela. Mas lembro dos rostos que vão me olhar com admiração e dos prêmios que estou destinado a ganhar com meu talento e permaneço calado. Como um último recurso. tento me aproximar, para quem sabe com um beijo mostrar a ela que sim, eu a queria. Mas meu ato funciona como uma espécie de sinal para que ela siga seu caminho, e a vejo virando o rosto, depois as costas e, sem olhar para trás, se afastando em passos indecisos.
Sim, eu poderia ir atrás dela. Mas acredito que em nada mudaria e, além disso, me arrependeria pelo resto da vida por não aproveitar o máximo possível aquele ataque de genialidade com o qual eu estava sendo agraciado naquele momento. Então volto a mim e não penso, viro-me também e passo a caminhar na direção oposta, rapidamente e com a convicção e o orgulho de um homem que sacrifica sua vida por uma missão.
Como as idéias não me deixam em paz e minha casa ainda está a uma razoável distância, decido apressar o passo... mas meu pensamento parece querer disputar com as minhas pernas quem é mais rápido. Evidente que ele está com uma vantagem colossal sobre elas, portanto decido correr o mais rápido possível, para quem sabe minimizar as perdas que estou tendo com o desaparecimento relâmpago dessas idéias que trespassam a minha mente, e chegar o mais rápido possível até minha casa para finalmente eternizá-las no papel, iniciando assim o percurso até minha glória literária.
Saio correndo pela rua e depois de tropeçar umas cinco vezes, finalmente chego em casa. Não acho a chave no bolso... era só o que me faltava. Volto pelo caminho escuro e a vejo brilhando no chão, a uns três metros de mim. Enquanto me abaixo para pegá-la, faísca no fundo da minha cabeça uma idéia tão intensa e genial que paro por um segundo, sem acreditar que tive uma inspiração tão brilhante quanto aquela. Corro desesperado e enquanto enfio a chave na porta e a giro com violência tento vencer o que agora se tornou um congestionamento de pensamentos literários magníficos, procurando mentalizar apenas aquele que me atingiu enquanto eu pegava a chave. Sei que ele é a melhor coisa que já passou pela minha mente. Nunca me imaginei capaz de ter uma idéia tão incrível e não posso cogitar a idéia de esquecê-la.
Chego ao meu quarto, ele me espera. Acendo a luz enquanto as estórias pipoqueiam na minha cabeça. Ligo o computador e acendo um cigarro enquanto o Windows inicializa. Tempestade no meu cérebro, abro o Word quase sorrindo, minhas mãos coçam e, a partir daquela última idéia, tenho já um livro inteiro absolutamente genial na ponta dos meus dedos. Quando vislumbro o cursor piscando sobre a tela em branco, respiro fundo aliviado. Mas, após um segundo de hesitação, me dou conta de que perdi o momento pelo qual esperei toda a minha vida. O surto de inspiração me abandonou, percebo que voltei a ser somente eu e não consigo escrever absolutamente nada.
Quarta-feira à noite, bares cheios. Nessa cidade não se tem nada pra fazer, então todo mundo acaba indo beber mesmo. Chegamos, sentamos. Pedimos uma cerveja.
Ela começa então a fazer o que mais gosta: falar. E como ela fala. Em alguns momentos até gagueja, engasga, atropela as palavras, que saem de sua boca assustadas e emboladas umas com as outras... ela não para de falar. Acho que ela pensa muito e muito rápido, por isso, ao encontrar com alguém tem a incontrolável necessidade de despejar todos os seus pensamentos. Infelizmente, quase nada pode ser aproveitado. Em certo momento, capto uma frase dela que parece se encaixar perfeitamente no perfil de um personagem de uma das minhas estórias... mas em uma fração de segundo essa impressão passa. Percebo que na verdade era uma frase boba, uma reflexão superficial e eu jamais escrevo coisas bobas ou superficiais.
O tempo vai passando... tomamos mais uma, duas cervejas e ela pede uma porção de qualquer coisa. Fumo um cigarro atrás do outro, esta situação está me afligindo. Lembro do meu conto que já está quase na metade. Estou trabalhando nele há semanas e sei que ele está beirando a perfeição. Escrevo muito bem, isso é fato. E esse conto é provavelmente a melhor coisa que já escrevi. Ainda não está pronto, mas eu sei... pressinto a emoção que as pessoas sentirão ao lê-lo e já posso ver as expressões de admiração se virando em minha direção. Esse pensamento me anima e peço mais uma cerveja. Já que terei mesmo que ficar ali com ela por um tempo, o álcool me ajudará a suportar e não me desesperar diante do tempo perdido.
Aos poucos a cerveja vai agindo e vou me soltando. Mas continuo calado, ouvindo-a falar. Dentro da minha mente se agitam estórias, personagens, frases de efeito e figuras de linguagem que tão bem se encaixariam na minha obra-prima. Penso que poderia anotar essas idéias na agenda ou até mesmo em um guardanapo, mas não o farei, pois além de não conseguir escrever desta maneira fragmentada, sei que ela ficaria ofendida, pensando que eu não estava prestando atenção em nada do que ela dizia - o que era verdade.
Me mexo na cadeira, mudo de posição. O incômodo não vai embora. Noto que idéias brilhantes começam a surgir na minha cabeça, mas quanto mais eu penso que preciso não esquecê-las, mais geniais e velozes elas lampejam dentro da minha mente. Me desespero:
- Não tô me sentido muito bem, vamo embora?
- Mas já? O que que você tem?
- Não sei... preciso ir embora. Ô garçom! A conta, por favor.
O cara traz a conta e me atrapalho pagando. Conto o dinheiro errado por três vezes, a inspiração não me deixa pensar. Cometo o erro imbecil de tentar lembrar uma das primeiras idéias que haviam passado na minha cabeça há uma meia-hora atrás e percebo que não faço a mais a menor noção do que era. Sei que tinha a ver com uma mulher... sim, uma mulher passou e eu pensei que... o que eu pensei? Pensei que a minha personagem, a mulher protagonista do meu conto poderia... poderia o quê? Me rendo à falta dessa memória, mas persisto em ir embora, pois nem paro de tentar lembrar o pensamento relativo à mulher que passou e mais uns outros quatro - dois regulares, um bom e um excelente - já invadem minha cabeça. Vou enlouquecer. O garçom demora pra pegar a conta de volta, e ainda falta o meu troco.
Nesse momento me dou conta de que ela tinha parado de falar. A última coisa que havia dito tinha sido a pergunta sobre o que eu estava sentindo. E ela tinha ficado me observando, visto minha pressa, meu desespero, minha ansiedade em sair dali. Pressinto o perigo antes mesmo de ela começar a falar. E quando ela recomeça o tom da conversa mudou e confirma justamente o que eu temia:
- Por que a pressa?
- Não estou me sentindo bem.
Silêncio. Chega o garçom com o troco.
- Você tem algum compromisso?
- Não... quer dizer, é... bom eu preciso fazer algumas coisas e...é, tenho sim.
Esqueci de explicar que trabalho com computadores, sou técnico em informática. A literatura nada tem a ver com meu trabalho e não contribui com meu sustento. Nunca publiquei nada, mas escrevo muito bem e sei que tenho um talento fora do comum com as palavras. Quero terminar logo de escrever alguns contos sobre os quais estou trabalhando e sei que editora nenhuma os recusará, pois meu estilo é totalmente revolucionário e estou destinado a ser reconhecido com um grande escritor. Não vejo a hora de largar os fios, programas, modens e números e poder me dedicar plenamente às minhas obras. Mas por enquanto sou um incompreendido. Ninguém entende por que deixo de sair e fazer outras coisas para ficar enfiado em casa escrevendo. Encaram minha vocação literária como um mero passatempo, até porque ninguém jamais leu nada que escrevi. Minha namorada também não entende, e dizer a ela que eu tenho que ir embora escrever seria o mesmo que largá-la sozinha em um lugar qualquer dizendo que preciso urgentemente jogar vídeo-game.
De fato tudo que eu precisava agora era perder ainda mais tempo me justificando para uma pessoa que não entende a importância da literatura na minha vida, penso irritado. Tento achar na minha mente, no meio das idéias que em alta-velocidade transitam através dela, uma frase com a qual eu possa me livrar daquele constrangimento e que termine com esse dilema o mais rápido possível. Infelizmente, quando me preparo para iniciar a explicação irretocável que convenceria minha namorada de que, apesar de amá-la profundamente, preciso desesperadamente escrever neste exato momento, tenho uma inspiração tão extraordinária que perco o fio da meada e apenas gaguejo algo parecido com “é que... hum... é...”.
Ela então enfim dá aquele passo em direção ao abismo que eu falei anteriormente e, tentando disfarçar uma lágrima - o que, apesar de ser um clichê, renderia uma bela imagem poética - levanta-se da mesa.
O troco chega, levanto-me também e vamos andando juntos, sem dizer nada. De repente ela me olha. E diz:
- Então é aqui que nos despedimos.
Na verdade ela estava me dando a chance de, com algumas palavras, reverter aquele quadro problemático e recuperar com ela a minha imagem que no momento devia ser a pior possível: a de um namorado que, entre outras coisas do passado das quais não cabe falar nesse momento, tem o costume de ignorar a namorada em mesas de bar pela cidade afora, enquanto pensa em um mundo completamente distante daquilo que os dois vivem naquele momento. Um mundo superior, cuja maior superioridade reside no simples fato de não existir.
Ela me deu a deixa e naquele momento, apesar de um pensamento digno de figurar em um ranking das maiores inovações literárias dos últimos tempos ter invadido minha mente, procuro afastar tudo que me distraía e pensar somente no que dizer a ela. Mas lembro dos rostos que vão me olhar com admiração e dos prêmios que estou destinado a ganhar com meu talento e permaneço calado. Como um último recurso. tento me aproximar, para quem sabe com um beijo mostrar a ela que sim, eu a queria. Mas meu ato funciona como uma espécie de sinal para que ela siga seu caminho, e a vejo virando o rosto, depois as costas e, sem olhar para trás, se afastando em passos indecisos.
Sim, eu poderia ir atrás dela. Mas acredito que em nada mudaria e, além disso, me arrependeria pelo resto da vida por não aproveitar o máximo possível aquele ataque de genialidade com o qual eu estava sendo agraciado naquele momento. Então volto a mim e não penso, viro-me também e passo a caminhar na direção oposta, rapidamente e com a convicção e o orgulho de um homem que sacrifica sua vida por uma missão.
Como as idéias não me deixam em paz e minha casa ainda está a uma razoável distância, decido apressar o passo... mas meu pensamento parece querer disputar com as minhas pernas quem é mais rápido. Evidente que ele está com uma vantagem colossal sobre elas, portanto decido correr o mais rápido possível, para quem sabe minimizar as perdas que estou tendo com o desaparecimento relâmpago dessas idéias que trespassam a minha mente, e chegar o mais rápido possível até minha casa para finalmente eternizá-las no papel, iniciando assim o percurso até minha glória literária.
Saio correndo pela rua e depois de tropeçar umas cinco vezes, finalmente chego em casa. Não acho a chave no bolso... era só o que me faltava. Volto pelo caminho escuro e a vejo brilhando no chão, a uns três metros de mim. Enquanto me abaixo para pegá-la, faísca no fundo da minha cabeça uma idéia tão intensa e genial que paro por um segundo, sem acreditar que tive uma inspiração tão brilhante quanto aquela. Corro desesperado e enquanto enfio a chave na porta e a giro com violência tento vencer o que agora se tornou um congestionamento de pensamentos literários magníficos, procurando mentalizar apenas aquele que me atingiu enquanto eu pegava a chave. Sei que ele é a melhor coisa que já passou pela minha mente. Nunca me imaginei capaz de ter uma idéia tão incrível e não posso cogitar a idéia de esquecê-la.
Chego ao meu quarto, ele me espera. Acendo a luz enquanto as estórias pipoqueiam na minha cabeça. Ligo o computador e acendo um cigarro enquanto o Windows inicializa. Tempestade no meu cérebro, abro o Word quase sorrindo, minhas mãos coçam e, a partir daquela última idéia, tenho já um livro inteiro absolutamente genial na ponta dos meus dedos. Quando vislumbro o cursor piscando sobre a tela em branco, respiro fundo aliviado. Mas, após um segundo de hesitação, me dou conta de que perdi o momento pelo qual esperei toda a minha vida. O surto de inspiração me abandonou, percebo que voltei a ser somente eu e não consigo escrever absolutamente nada.
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Laura Assis
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Esse conto foi selecionado pela Universidade Federal de São João Del-Rei para figurar em uma antologia que, diz a lenda, será publicada. Estou esperando desde o meio do ano passado. Sentada.
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conto
sábado, 28 de março de 2009
And for a minute there, I lost myself
Em meio aos inúmeros relatos e resenhas sobre o Just a Fest, confesso que quase deixei minha preguiça falar mais alto e, admitindo que tudo que havia para ser dito sobre aquele dia já havia sido dito por outras pessoas, estive a ponto de largar esse post pela metade e nem comentar nada dos shows que aconteceram há exatos sete dias atrás no Rio de Janeiro. No entanto, uma vez que esse blog tem, ou deveria ter, a função de registrar minhas impressões, sinto que trairia meus propósitos, e, porque não, minha vontade, se não falasse aqui sobre aquele dia 20 de março e o tanto que ele ficou marcado, não só na minha história, mas na de aproximadamente 25 mil pessoas que lotaram a Praça da Apoteose.Será que ainda é preciso dizer que o Just a Fest foi o “festival” responsável por promover o tão esperado show do Los Hermanos pós-hiato (show esse que não significou uma volta, como a banda fez questão de salientar), pelo retorno ao Brasil do Kraftwerk (como se alguém se importasse com isso...) e, principalmente, pelo primeiro show do Radiohead no país?
Bom, foi isso. Como eu já disse em um post anterior (que, confesso, quase caí na tentação de apagar), fiquei sabendo do show do Radiohead logo que anunciado, e tive vontade ir, mas só decidi de fato quando soube que a banda de abertura seria o Los Hermanos.
Claro que eu já conhecia o Radiohead e tinha, inclusive, o “OK Computer” (1997) como um dos meus discos favoritos. No entanto meu conhecimento e admiração pela banda não eram tão grandes a ponto de me animarem a pagar R$100 em um ingresso, mais o gasto do deslocamento para o Rio. Mas ainda bem que existe o Los Hermanos. Graças a eles eu decidi ir ao show. E, uma vez que conheço o trabalho deles de trás pra frente, e não me interesso nem um pouco pelo tipo de som do Kraftwerk, resolvi aproveitar o tempo que faltavam para o show para ouvir um pouco mais de Radiohead
Dos discos deles eu só tinha, além do já citado “OK Computer”, o dois primeiros - “Pablo Honey" (1993) e “The Bends” (1995). Baixei então os outros álbuns e o resultado foi que me vi, às vésperas do show, ansiosa pelo show do Radiohead e em vias de esquecer a apresentação do Los Hermanos. Nem me importei muito com o engarrafamento na ponte Rio-Niterói, que poderia me atrasar e me fazer perder parte do show da banda carioca. Desde que eu visse o Radiohead, tudo estaria bem.
Mas ainda cheguei a tempo para o show do Los Hermanos. Não nego que a apresentação deles teve momentos emocionantes. Eu estava com saudades daquele coro que não deixa nem a gente ouvir a voz do Marcelo Camelo em “O vencedor”. Saudades de gritar “assim é que se faz!” em “Além do que se vê”. Saudades da voz e das dancinhas do Amarante (que são bem legais no Little Joy também), saudades da cara de paisagem do Bruno e até dos caras dos metais que nunca sei o nome. Foi bom. Mas bom não é nada perto do que veio depois (na verdade logo depois veio o Kraftwerk, mas vou me abster de comentar. Não entendo nada. Dizem que eles são gênios. Pode até ser, tanto faz. Pra mim o show deles foi o telão. Legal aquilo. Música eu não ouvi não.)
Bom, mas aí começou o Radiohead. E catarse foi a palavra. Não vou ficar listando músicas, tem setlist do show em tudo quanto é lugar, não é isso que interessa. Basta dizer que em “15 Step” minha ficha ainda não tinha caído. Mas em “Airbag” ela caiu completamente. Foi escutar aquele riff e pensar: “cara, eu estou mesmo no show do Radiohead”. Alguns minutos mais tarde veio “Karma Police”, como o coro mais lindo que eu já vi. Ainda esses dias assisti o vídeo no Youtube, e é de uma força impressionante ver/ouvir a reação do público logo nos primeiros acordes da música e, logo depois, o primeiro verso cantado/berrado/chorado por sei lá quantas mil pessoas. 
Meu aniversário foi dali a dois dias e considerei “No Surprises” meu presente. Não é sempre que eles tocam essa música – no show de São Paulo, por exemplo, não tocaram – que é uma das minhas preferidas. Obrigada, Thom. Vale citar também “Jigsaws Falling Into Place”, melhor música do “In Rainbows”, que eu estava esperando muito para ver ao vivo. Além de tantas outras, como “Paranoid Android” (a música mais foda do mundo) e “Weird Fishes/Arpeggi” e sua melodia e letra belíssimas.
Não posso deixar de agradecer ao Los Hermanos também. Afinal, se não fossem eles, eu não teria ido. E o que aconteceu comigo foi mais ou menos o que teria acontecido a uma pessoa que fosse à Roma ver o Papa e acabasse encontrando, por acaso, Deus.
P.S. 1: O título desse post é um verso de "Karma Police", lindíssima e já citada canção do Radiohead, verso este cuja tradução seria "e por um minuto lá, eu me perdi".
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Previsões 2009
Talvez ainda seja um pouco cedo pra dizer, mas parece que 2009 vai ser um ano lindo. Pelo menos com sorte eu estou. Vejamos:
Fui pra Bahia. Ilhéus, Itacaré, Barra Grande... tudo muito bonito, praia, sol e cerveja. Ok, mas vamos pra Salvador? Então vamos. Primeiro dia de Salvador, abro um jornal e tem uma baita foto do Caetano. Notícia: "Caetano Veloso faz HOJE participação no show do fulaninho de tal ". Bora atrás do Caetano? Bora.
E foi lindo.
Eu vi o Caetano a essa distância aqui:
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Abaixa essa câmera aí, ô doente!
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Bom, voltando a Juiz de Fora, continuou aquele rebuliço de show do Radiohead. Eu gosto de Radiohead, mas tava com preguiça de ir no Rio e pagar R$100 no show deles. Fora que tava sem companhia, a única amiga minha que ia resolveu ir em São Paulo, e se eu já tava com preguiça de ir ali no Rio, imagina em Sampa.
Mas aí eis que surge a notícia mais linda: o Los Hermanos vai abrir pro Radiohead. Cara, o LOS HERMANOS vai abrir pro Radiohead. Foda-se se é no Rio, foda-se se é caro, foda-se se eu tenho preguiça até de ir na padaria comprar cigarro... o AMARANTE e o CAMELO vão tocar juntos, meu deus. Los Hermanos não tem nem discussão.
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Se brigarem antes do show eu mato os quatro.
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Mal me recuperei dessa, olho só de curiosidade o site da Mostra de Cinema de Tiradentes e quem vai fazer show lá na terça, dia 27?
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Oi, Paulinho.
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Bom, agora só falta o John e o George ressuscitarem, porque até falar que quer tocar com o Ringo de novo o Paul já andou falando.
Mentira. O que falta mesmo é a confirmação desse boato aqui.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Cinzas
Espaços contigo
doces como caminhos
que nunca serão construídos.
– Os dias viraram noites
que clarearam dias se
tornaram noites
que amanheceram.
Os verbos medidos.
Ânsia que afoga
no timbre do que eu não digo.
– Palavras que queriam ações
mas não eram ações
que foram palavras
e aconteceram.
Amoldam-se os cantos
deságuam no branco
do meu traçado sem plano.
– Versos que criaram olhos
que escreveram pele
e te sentiram
não se perderam.
Ouvir de você
as três palavras.
Clichês.
Desfaço em medula
o corpo do seu desejo
sem ver.
Amanhã saberemos:
o mundo é tão maior.
.
[Laura Assis]
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doces como caminhos
que nunca serão construídos.
– Os dias viraram noites
que clarearam dias se
tornaram noites
que amanheceram.
Os verbos medidos.
Ânsia que afoga
no timbre do que eu não digo.
– Palavras que queriam ações
mas não eram ações
que foram palavras
e aconteceram.
Amoldam-se os cantos
deságuam no branco
do meu traçado sem plano.
– Versos que criaram olhos
que escreveram pele
e te sentiram
não se perderam.
Ouvir de você
as três palavras.
Clichês.
Desfaço em medula
o corpo do seu desejo
sem ver.
Amanhã saberemos:
o mundo é tão maior.
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[Laura Assis]
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
II
E se a vida, assimétrica,
periférica desilusão. Aprender
a ser
é paciência ou prática?
E se a inspiração, súbita,
última palavra a se esconder.
Inútil ver, ter:
poesia, didática.
Verso afogado n’água
murmúrio cadência enigma.
Ares de revolução.
Já não há mais mágoa
e neologismo algum explica
a lógica do universo em expansão.
.
[Laura Assis]
periférica desilusão. Aprender
a ser
é paciência ou prática?
E se a inspiração, súbita,
última palavra a se esconder.
Inútil ver, ter:
poesia, didática.
Verso afogado n’água
murmúrio cadência enigma.
Ares de revolução.
Já não há mais mágoa
e neologismo algum explica
a lógica do universo em expansão.
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[Laura Assis]
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poesia
sábado, 7 de junho de 2008
Perfeição
O antes da linguagem,
uma ponte.
Água salgada no rosto
ou
apenas ímpeto?
Pavimento liso,
sem rugas, sem rasgos.
O antes de tudo.
Sem monstros, sem nada.
Quis ser o quê? Sol.
Sonhei, mas não mais.
A vida é.
Só.
.
[Laura Assis]
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uma ponte.
Água salgada no rosto
ou
apenas ímpeto?
Pavimento liso,
sem rugas, sem rasgos.
O antes de tudo.
Sem monstros, sem nada.
Quis ser o quê? Sol.
Sonhei, mas não mais.
A vida é.
Só.
.
[Laura Assis]
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
Os Reinos Silenciosos
É uma alegria tristemente anunciada -
cercada de eufemismos dissonantes -
que vai se expandir na noite, aguda e só
e se tornar grafite
e sonho
e nada.
É piedade
(ou sombra?)
Lápis que perpassa os olhos e rompe
o silêncio vazio e misterioso do papel em branco.
Talvez essa ânsia tão insolúvel,
quando avistar meus sentimentos metrificados,
se destile. Uma espécie de vingança
por ver-se traduzida,
cruelmente exposta
degredada.
Mas por obra do acaso,
ao inverso do que eu sempre quis
e por razões que eu ignoro
essa melancolia me contradiz.
E corta a noite
como uma estrela inconstante
e habilmente afiada.
cercada de eufemismos dissonantes -
que vai se expandir na noite, aguda e só
e se tornar grafite
e sonho
e nada.
É piedade
(ou sombra?)
Lápis que perpassa os olhos e rompe
o silêncio vazio e misterioso do papel em branco.
Talvez essa ânsia tão insolúvel,
quando avistar meus sentimentos metrificados,
se destile. Uma espécie de vingança
por ver-se traduzida,
cruelmente exposta
degredada.
Mas por obra do acaso,
ao inverso do que eu sempre quis
e por razões que eu ignoro
essa melancolia me contradiz.
E corta a noite
como uma estrela inconstante
e habilmente afiada.
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poesia
domingo, 15 de julho de 2007
Férias!

Estou de férias da faculdade desde o começo de julho, mas como tive várias pendências pra resolver e dei aula no revisional do cursinho semana passada minhas "férias absolutas" começam amanhã.
Fiquei pensando o que seria de nós se não houvesse essa esperança de ter, pelo menos uma vez no ano, uns dias de descanso e alegria sem censura de relógios, nos quais somos livres para realmente viver sem essas amarras que nos prendem à responsabilidade de horários, prazos, trabalho, estudo etc.
Somos meio como ratinhos de laboratório. Presos nas nossas caixinhas de Skinner, percorrendo esses labirintos de rotinas e obrigações, andamos apenas seguindo aquilo que nada mais é que uma promessa de ter nem que seja apenas uns breves momentos de liberdade.
Bom, mas o que realmente importa é que daqui a algumas horas vou finalmente me despedir (mesmo que por um curto período de tempo) dos ares juizforanos.
Não sei se já falei isso aqui, mas há uns meses atrás mandei um poema meu (postado recentemente aqui no blog) chamado "Sessão da Tarde" para um concurso literário da Universidade Federal de São João Del Rey e ele foi classificado e será publicado. A festa de lançamento é amanhã lá no campus da Universidade e será um dos eventos do 20º Inverno Cultural da UFSJ. Por isso que estou indo prá São João Del Rey, cidade linda que eu adoro. Pretendo dar um pulo em Tiradentes também.
Almejo bebida, natureza, igrejas velhas, feirinhas de coisas inúteis, historinhas de lendas locais, inúmeras fotos e o exemplar do livro com meu poeminha publicado o mais brevemente possível em minhas mãos.=)
Uma única coisa que me preocupa nessas minhas férias é o tempo que vou ficar sem internet. Sim, sou nerd. Sim, sou feliz assim.
Ok, prometo que não vou ficando caçando lan house por lá, mas se tiver alguma no caminho e eu estiver com tempo...
No mais é vida que segue. Vejo (ou leio) vocês na volta.
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quarta-feira, 4 de julho de 2007
Ímpar
"Você tem que entender que eu sou filho único
Que os filhos únicos são seres infelizes."
Cazuza
Que os filhos únicos são seres infelizes."
Cazuza
Só quem cresceu sozinho vai entender esse texto.
Porque a verdade é que os filhos únicos nunca sabem para onde ir. Eles procuram algo que os mostre que eles não são tão solitários e que os faça compreender porque eles são o resultado tão inesperado de uma família que vivia em uma casa na qual só eles sabem como foi crescer.
Só quem não tem irmão sabe o quanto triste jogar cartas contra si próprio e sempre acabar roubando pra um lado. Filhos únicos são sim muito estranhos... eles não dividem brinquedos, não dividirão heranças. Não dividem quarto e nem mesmo os pais - que às vezes dividem-se por si próprios.
Filhos únicos não são sociáveis. Eles se escondem, não sabem o que é certo ou errado. Não têm limites nem para cima, nem para baixo. Tentam se encaixar, mas no fim do jogo sempre remoem a certeza de ser peça solta no quebra-cabeça. E essa sensação de unicidade é ímpar, singular, sem igual.
Filhos únicos chamam os primos de irmãos, os amigos de irmãos, os conhecidos de irmãos... Eles se apaixonam em fração de segundos, pois precisam desesperadamente de alguém pra dividir uma coisa que eles não fazem a menor idéia do que é.
São egoístas que se doam de corpo e alma, vampiros de intimidades que precisam o tempo todo achar semelhanças com o resto do mundo. Eles se escondem, mas precisam se mostrar, pois não têm espelhos nem cúmplices.
Filhos únicos são chatos, sistemáticos e costumam ter manias esquisitas. Eles não sabem conviver, não sabem conversar. Acham que tudo é amor, mas não sabem reconhecê-lo quando este de fato aparece.
Filhos únicos não sabem amar.
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pseudo-crônica
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Top 5 - Versos mais geniais da Língua Portuguesa
Foi difícil... demais!
Sei que não concordarão, podem me xingar nos comentários.
1) Fabula de Anfion
(João Cabral de Melo Neto)
Escondendo a sua obsessão pela metalinguagem atrás de uma pseudo-fábula, João Cabral consegue na "Fábula de Anfion" sintetizar toda sua proposta poética.É nesse poema que encontramos a união perfeita entre o deserto (uma metáfora para a folha em branco) e a melodia (que representa todo o fazer poético em sua mais delicada perspectiva).
Definir Cabral é fácil:GÊNIO.
"Diz a mitologia
(arejadas salas, de
nítidos enigmas
povoadas, mariscos
ou simples nozes
cuja noite guardada
à luz e ao ar livre
persiste, sem se dissolver)
diz, do aéreo
parto daquele milagre:
Quando a flauta soou
um tempo se desdobrou
do tempo, como uma caixa
de dentro de outra caixa."
2) Tabacaria
(Álvaro de Campos)
Fernando Pessoa definitivamente é um caso a parte. Toda a sua vasta produção poética, incluindo a de seus heterônimos, mantém uma qualidade vista pouquíssimas vezes na literatura.
Muitos de seus poemas poderiam estar aqui, escolhi esse porque desde a primeira vez que o li achei de uma genialidade espantosa.
Confesso que foi o mais difícil, pois selecionar apenas alguns versos dele é ser injusto com a beleza de todos os outros. Uma obra prima do começo ao fim.
"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."
3) Campo de Flores
(Carlos Drummond de Andrade)
Dizem os boatos que Drummond escreveu esse poema para sua amante.Faz sentido, visto seus últimos versos. Escolher uma estrofe desse foi dificílimo também, ele é altamente inspirado do começo ao fim.
Apesar de ter ficado em terceiro, leva o um outro título: O mais belo poema de amor já escrito em Língua portuguesa.
"E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis."
4) IV
(Paulo Henriques Britto)
Se hoje em dia sou leitora e admiradora da poesia de Paulo Henriques Britto, devo isso a esse poema.
Ele foi o primeiro dele que li, antes mesmo de conhecer o autor e, desde essa primeira leitura, me impressiona a aparentes simplicidade que esconde na verdade uma intricada construção metafórica.
Tenho uma impressão parecida com a que tenho quando leio Rubem Fonseca: a linguagem parece simples, mas quando se observa atentamente nota-se que é uma simplicidade mais poética do que qualquer rebuscamento.
"Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro, meu
filho. Só o raso é cool. A dor é Kitsch."
5) Vozes d'África
(Castro Alves)
Só a brilhante escolha de colocar o próprio continente africano como eu-lírico nessa poesia já valeria seu lugar nessa lista. Mas Castro Alves fez mais: construiu um belo poema, denunciando os horrores da escravidão e criticando a sociedade da época. Tudo isso sem perder o lirismo. Nem só de modernistas e contemporâneos vive a poesia...
"Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos... eu soluço um grito...
Escuta o brado meu lá do infinito...
Meu Deus! Senhor, meu Deus!..."
Sei que não concordarão, podem me xingar nos comentários.
1) Fabula de Anfion
(João Cabral de Melo Neto)
Escondendo a sua obsessão pela metalinguagem atrás de uma pseudo-fábula, João Cabral consegue na "Fábula de Anfion" sintetizar toda sua proposta poética.É nesse poema que encontramos a união perfeita entre o deserto (uma metáfora para a folha em branco) e a melodia (que representa todo o fazer poético em sua mais delicada perspectiva).
Definir Cabral é fácil:GÊNIO.
"Diz a mitologia
(arejadas salas, de
nítidos enigmas
povoadas, mariscos
ou simples nozes
cuja noite guardada
à luz e ao ar livre
persiste, sem se dissolver)
diz, do aéreo
parto daquele milagre:
Quando a flauta soou
um tempo se desdobrou
do tempo, como uma caixa
de dentro de outra caixa."
2) Tabacaria
(Álvaro de Campos)
Fernando Pessoa definitivamente é um caso a parte. Toda a sua vasta produção poética, incluindo a de seus heterônimos, mantém uma qualidade vista pouquíssimas vezes na literatura.
Muitos de seus poemas poderiam estar aqui, escolhi esse porque desde a primeira vez que o li achei de uma genialidade espantosa.
Confesso que foi o mais difícil, pois selecionar apenas alguns versos dele é ser injusto com a beleza de todos os outros. Uma obra prima do começo ao fim.
"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."
3) Campo de Flores
(Carlos Drummond de Andrade)
Dizem os boatos que Drummond escreveu esse poema para sua amante.Faz sentido, visto seus últimos versos. Escolher uma estrofe desse foi dificílimo também, ele é altamente inspirado do começo ao fim.
Apesar de ter ficado em terceiro, leva o um outro título: O mais belo poema de amor já escrito em Língua portuguesa.
"E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis."
4) IV
(Paulo Henriques Britto)
Se hoje em dia sou leitora e admiradora da poesia de Paulo Henriques Britto, devo isso a esse poema.
Ele foi o primeiro dele que li, antes mesmo de conhecer o autor e, desde essa primeira leitura, me impressiona a aparentes simplicidade que esconde na verdade uma intricada construção metafórica.
Tenho uma impressão parecida com a que tenho quando leio Rubem Fonseca: a linguagem parece simples, mas quando se observa atentamente nota-se que é uma simplicidade mais poética do que qualquer rebuscamento.
"Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro, meu
filho. Só o raso é cool. A dor é Kitsch."
5) Vozes d'África
(Castro Alves)
Só a brilhante escolha de colocar o próprio continente africano como eu-lírico nessa poesia já valeria seu lugar nessa lista. Mas Castro Alves fez mais: construiu um belo poema, denunciando os horrores da escravidão e criticando a sociedade da época. Tudo isso sem perder o lirismo. Nem só de modernistas e contemporâneos vive a poesia...
"Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos... eu soluço um grito...
Escuta o brado meu lá do infinito...
Meu Deus! Senhor, meu Deus!..."
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Obs: Talvez o título desse top 5 seja um pouco injusto. Isso porque não detenho lá muito conhecimento acerca da poesia dos países africanos de língua portuguesa e isso me impede de escolher versos de poetas de Cabo Verde ou Angola, por exemplo. Mas quem se interessar é só clicar nos links aqui em cima. =)
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top 5
sábado, 16 de junho de 2007
A Felicidade*
"Un souvenir heureux est peut-être sur terre.
Plus vrai que le bonheur."
Alfred Musset
Alfred Musset
Gosto desse verso do Musset porque ele me lembra uma história da Turma da Mônica. Sério.
A história era mais ou menos assim: chegava um novo fantasminha no cemitério do Penadinho, todo triste porque tinha morrido sem nunca na vida ter sido realmente feliz. Aí o Penadinho fazia uma retrospectiva da vida desse cara junto com ele, mostrando pra ele os pequenos momentos felizes na vida dele e concluindo que, esses sim, tinham sido a tão almejada felicidade.
Quando eu li isso tinha uns sete anos e evidentemente não entendi todo o significado da história, mas agora vejo que o Penadinho tinha toda a razão. E o Musset tem também.
Hoje sei que se por acaso eu chegar lá no cemitério do Penadinho amanhã, não terei dúvidas a respeito da minha felicidade. Simplesmente porque aprendi cedo que ela, dessa maneira plena que as pessos alardeiam, simplesmente não existe.
O que existe é a vida.
* o título desse post é uma referência à bela de música "A Felicidade", de Tom e Vinícius.
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Contradições
Se eu parasse pra pensar de verdade nas coisas que realmente deveriam ser consideradas "importantes" na minha vida eu chegaria à conclusão de que está tudo uma merda.
No entanto, ando esses últimos dias com a sensação de que a vida é a coisa mais linda do mundo.
Por quê será?
No entanto, ando esses últimos dias com a sensação de que a vida é a coisa mais linda do mundo.
Por quê será?
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
Sessão da Tarde
Eu sei que meu amor é fraco
e que seu coração é nobre demais
pra aceitar meus segredos
meus sonetos envidraçados
Mas você não é mais criança
pra se corromper com elogios
E sua alma não é uma metáfora
que se constrói aos poucos a cada dia.
A porta da minha casa não é uma trincheira
então arme-se apenas com sua dignidade
pois nossa história não é uma trilogia
e eu não vou me dividir em capítulos
prá espera um fim de sessão da tarde
Porque eu não assisto comédias-românticas
eu escrevo tragédias árcades
E minha vida não é uma mensagem subliminar
você não precisa virá-la ao contrário pra me entender
Você não precisa entender.
Mas eu lhe peço:
Não assine seu nome nessas tardes sem cor
Não concretize pensamentos que te afastarão de mim
não enterre seu desejo sob ruínas mais pesadas que o céu
Porque os dias de nossas noites
estão guardados
aqui.
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[Laura Assis]
e que seu coração é nobre demais
pra aceitar meus segredos
meus sonetos envidraçados
Mas você não é mais criança
pra se corromper com elogios
E sua alma não é uma metáfora
que se constrói aos poucos a cada dia.
A porta da minha casa não é uma trincheira
então arme-se apenas com sua dignidade
pois nossa história não é uma trilogia
e eu não vou me dividir em capítulos
prá espera um fim de sessão da tarde
Porque eu não assisto comédias-românticas
eu escrevo tragédias árcades
E minha vida não é uma mensagem subliminar
você não precisa virá-la ao contrário pra me entender
Você não precisa entender.
Mas eu lhe peço:
Não assine seu nome nessas tardes sem cor
Não concretize pensamentos que te afastarão de mim
não enterre seu desejo sob ruínas mais pesadas que o céu
Porque os dias de nossas noites
estão guardados
aqui.
.
[Laura Assis]
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quarta-feira, 25 de abril de 2007
Ensaiando uma pseudo-loucura
Durante um bom tempo meu maior sonho era que um belo dia me internassem.
Eu rezava pra que as pessoas enfim reparassem que eu não era uma pessoa normal, tinha um sério desvio de personalidade, oferecia sério perigo para a sociedade e me trancassem em um lugar qualquer no qual eu pudesse dormir até tarde, não precisasse trabalhar e nem tivesse nenhuma obrigação.
De vez em quando eles achariam que eu estava curada, me trariam de volta prá casa e me obrigariam a voltar para o trabalho e para a aula... Mas ao derramar uma garrafa de café quente na cabeça do meu chefe, e colocar fogo na faculdade, eu mostraria a eles que eu ainda era uma sociopata esquizofrênica e então eles me trancafiariam novamente.
Nessa época eu tinha certeza absoluta de que qualquer hospício era melhor do que a minha vida e chegava a ensaiar ataques histéricos, certa de que conseguiria escapar da minha mente pela porta dos fundos.
Hoje vejo que, apesar de a idéia de escalpelar certas pessoas e incendiar determinados lugares não ser tão ruim assim, eu decididamente não quero me esconder da minha vida. Continuo bolando planos esdrúxulos (dar o golpe do baú, fraudar a megasena, processar o McDonald's) pra ver se um dia consigo realizar meu sonho de acordar as duas horas da tarde sem ter absolutamente nenhuma obrigação com nada nem com ninguém.
Mas se por enquanto se livrar das obrigações é também abrir mão das escolhas, aceito a condição.
Eu rezava pra que as pessoas enfim reparassem que eu não era uma pessoa normal, tinha um sério desvio de personalidade, oferecia sério perigo para a sociedade e me trancassem em um lugar qualquer no qual eu pudesse dormir até tarde, não precisasse trabalhar e nem tivesse nenhuma obrigação.
De vez em quando eles achariam que eu estava curada, me trariam de volta prá casa e me obrigariam a voltar para o trabalho e para a aula... Mas ao derramar uma garrafa de café quente na cabeça do meu chefe, e colocar fogo na faculdade, eu mostraria a eles que eu ainda era uma sociopata esquizofrênica e então eles me trancafiariam novamente.
Nessa época eu tinha certeza absoluta de que qualquer hospício era melhor do que a minha vida e chegava a ensaiar ataques histéricos, certa de que conseguiria escapar da minha mente pela porta dos fundos.
Hoje vejo que, apesar de a idéia de escalpelar certas pessoas e incendiar determinados lugares não ser tão ruim assim, eu decididamente não quero me esconder da minha vida. Continuo bolando planos esdrúxulos (dar o golpe do baú, fraudar a megasena, processar o McDonald's) pra ver se um dia consigo realizar meu sonho de acordar as duas horas da tarde sem ter absolutamente nenhuma obrigação com nada nem com ninguém.
Mas se por enquanto se livrar das obrigações é também abrir mão das escolhas, aceito a condição.
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Contra-reforma, destino, efeito-borboleta e outras viagens aleatórias
De repente me dei conta de que, apesar de ler tudo que vejo na frente e que meu escasso tempo me permite sobre literatura, teoria da literatura, filosofia etc, minha aulas andavam meio fracas graças a minha total ignorância em história. Não tive uma boa base nessa matéria, a maioria dos meus professores de história eram meio preguiçosos e não ensinavam nem metade do programa (espero que nenhum deles leia esse blog).
Resultado: tive que começar do zero.
Peguei um livrinho de história geral de 2º grau e agora ando com ele pra cima e pra baixo, tentando terminar a leitura em no máximo uma semana. Nesse exato momento estou lendo a respeito da Contra-Reforma. Estou achando bastante interessante, história é mesmo um troço bem legal.
Peguei um livrinho de história geral de 2º grau e agora ando com ele pra cima e pra baixo, tentando terminar a leitura em no máximo uma semana. Nesse exato momento estou lendo a respeito da Contra-Reforma. Estou achando bastante interessante, história é mesmo um troço bem legal.
E hoje me peguei pensando que, quando eu fiz cursinho, tive uma professora de história muito boa (ela se chamava Patrícia, mas nunca mais ouvi falar dela) e eu, que naquela época matava aula pra assistir novela (espero que nenhum aluno meu leia esse blog), fazia questão de assistir a aula dela e até pensei em fazer vestibular pra história. Talvez, se anteriormente eu não tivesse tido professores tão ruins poderia ter me interessado mais pela matéria e optado por esse curso no vestibular... E isso me fez pensar que, se por acaso eu tivesse realmente feito isso, minha vida hoje seria COMPLETAMENTE diferente em praticamente TODOS os aspectos.
Não que eu não goste da minha vida. Eu gosto. Gosto mesmo.
Mas é que achei engraçado pensar que, um X que fiz em um quadradinho há uns três anos atrás mudou completamente meu destino, e que se eu tivesse marcado esse mesmo X em um outro quadradinho, talvez hoje eu fosse uma pessoa deveras diferente. Não sei se melhor ou pior, mas com certeza MUITO diferente do que sou hoje.
Isso me fez lembrar daquilo que chamam de "Efeito Borboleta", e pensar em um certo acontecimento aparentemente pequeno, mas que mudou minha vida e ajudou a traçar meu destino há mais ou menos uns 15 anos atrás.
Não que eu não goste da minha vida. Eu gosto. Gosto mesmo.
Mas é que achei engraçado pensar que, um X que fiz em um quadradinho há uns três anos atrás mudou completamente meu destino, e que se eu tivesse marcado esse mesmo X em um outro quadradinho, talvez hoje eu fosse uma pessoa deveras diferente. Não sei se melhor ou pior, mas com certeza MUITO diferente do que sou hoje.
Isso me fez lembrar daquilo que chamam de "Efeito Borboleta", e pensar em um certo acontecimento aparentemente pequeno, mas que mudou minha vida e ajudou a traçar meu destino há mais ou menos uns 15 anos atrás.
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sábado, 3 de março de 2007
O click do revólver
Um belo dia estava eu gastando dedo no Museu Disco (melhor e mais barato sebo daqui de Juiz de Fora) quando me deparei com um vinil que eu sempre soube que existia, mas nunca havia tido em minhas mãos (obviamente que eu já o tinha visto em CD, mas em vinil a emoção é mil vezes maior): o Revolver, daquela bandinha que quase ninguém conhece, uns tais de Beatles. Confesso que passei uns bons dez minutos apenas admirando a capa, conferindo a ordem nas músicas, olhando aquele desenho psicodélico (que, de acordo com os mais paranóicos, só foi usado porque Paul McCartney estava morto, portanto não havia como tirar uma foto dos quatro juntos), com um certo receio de olhar o preço. Temia um valor muito alto, que eu não teria como pagar... então eu ia ter que ir embora sem o disco, e abandoná-lo lá, sozinho até que alguém com mais sorte e dinheiro que eu o levasse para casa. Com cuidado tirei o vinil do encarte e fiquei ainda mais triste quando vi que ele estava perfeito! Um disco lindo daquele, sem um arranhão sequer... e que provavelmente não seria meu. Foi então que resolvi parar com aquele drama e olhar logo o preço do disco.Não pude acreditar quando vi! Para eu ter o direito de levar aquela coisa linda pra casa o Museu do Disco queria em troca apenas R$ 10!Não, eu não me esqueci de um zero!O preço do vinil era DEZ REAIS!
Não pensei em mais nada. Apenas me dirigi ao caixa, paguei e trouxe meu novo filho pra casa. E até hoje a primeira audição me é uma experiência inesquecível.
Foi só colocar o disco pra tocar e George logo começou a solar, me contanto a história de um taxista em um rockzinho foda, de deixar qualquer bandinha de hoje em dia envergonhada. Logo depois Paul chegou com uma melodia meio barroca, falando de morte e solidão, padres e mulheres abandonadas. Mas John resolveu logo se impor e já apareceu cantando uma música perfeita: "I'm only sleeping", que é até hoje uma das músicas mais lindas que eu já ouvi na vida.
E o dia seguiu assim. George reapareceu mais calmo, agora com um som meio indiano, com cítaras e cheiro de incenso. Paul insistindo nas letras reflexivas e nas melodias trabalhadas e John, sempre imprevisível, cantando uma canção sobre seu traficante. Aquele dia mudou minha vida, e, até hoje, a cada vez que escuto o Revolver lembro que os Beatles eram apenas quatro caras fazendo música. E o fato de uma coisa tão simples como essa me fazer tão feliz me faz acreditar um pouco mais em mim e na vida.
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
3x4
Jogar esperanças
onde elas se perdem.
Entrego-me a contemplação
de um céu que não entendo
que as vezes nem vejo
que talvez eu não sinta.
Então lê pra mim outras mentiras
em latim, como se compreendesse
o que não há razão pra se explicar.
Os sentimentos mais simples
aprisionados em aquários
arrastam-se atrás do perdão
que só eles podem dar
E meu coração afogado
inchado, ofendido, estagnado
te pede um adjetivo mais fraco
ele precisa acorrentar os fatos
ele precisa causar mais impacto
ele não sabe que vencedores são pagos
para exorcizar fracassados.
Mas e você?
Por que você não rasga essas cartas de amor?
Rasga que amanhã eu vou jogar pra perder.
Rasga que amanhã eu vou mudar o mundo.
Rasga que amanhã eu vou publicar no jornal
uma foto 3 x 4 da revolução.
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onde elas se perdem.
Entrego-me a contemplação
de um céu que não entendo
que as vezes nem vejo
que talvez eu não sinta.
Então lê pra mim outras mentiras
em latim, como se compreendesse
o que não há razão pra se explicar.
Os sentimentos mais simples
aprisionados em aquários
arrastam-se atrás do perdão
que só eles podem dar
E meu coração afogado
inchado, ofendido, estagnado
te pede um adjetivo mais fraco
ele precisa acorrentar os fatos
ele precisa causar mais impacto
ele não sabe que vencedores são pagos
para exorcizar fracassados.
Mas e você?
Por que você não rasga essas cartas de amor?
Rasga que amanhã eu vou jogar pra perder.
Rasga que amanhã eu vou mudar o mundo.
Rasga que amanhã eu vou publicar no jornal
uma foto 3 x 4 da revolução.
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quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Da primeira vez

(ou de como me tornei fã do Ludov)
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Há mais ou menos uns 5 anos atrás, lá pelos idos de 2001 eu tinha lido na falecida revista BIZZ uma matéria elogiando um disco chamado Picture Perfect de uma banda de São Paulo que cantava em inglês, um tal de Maybees. Nunca cheguei a ouvir o tal disco (na verdade fui ouví-lo há umas 3 semanas atrás), o tempo passou e eu esqueci da tal bandinha paulista.
Em meados de 2004, estava eu a toa na vida, mas como meu amor não me chamou, lá fui eu assistir MTV. Dei sorte de ligar a TV bem na hora que começava um programa muito legal, o Banda Antes. Nesse dia passaram pelo programa bandas interessantes, mas a que me chamou realmente a atenção foi uma banda com uma menina cantando e um japinha que tocava violão, teclado e ainda. A tal banda tinha um nome meio estranho... chamava-se Ludov.
Eles tocaram acho que duas músicas, mas uma delas ficou na minha cabeça por vários dias: "...e no seu apartamento/ela se esquecia de tudo...”. Mais tarde descobri que a música do refrão grudento atendia pelo singelo nome de Princesa.
Um outro dia, estava eu novamente sem fazer nada (é, nessa época eu ficava bastante a tôa) vendo TV e em meio a vários clips de músicas de bandas um tanto quanto chatas e desinteressantes reconheço os primeiros acordes de Princesa. E o clip era demais!Uma animação muito bem feita, casando perfeitamente com a música. Pensei: “Esse pessoal é bom”.
A partir daí fui atrás de mais informações sobre a banda. Através de revistas, da própria MTV e principalmente pela internet. Fiz então a brilhante associação de que o Ludov era o novo projeto dos integrantes do antigo Maybees, aquele do disco elogiado pela BIZZ.
Muita coisa aconteceu depois de tudo isso... rádio uol, mp3,visitas quase diárias às lojas de discos e ao site, trocas de e-mails com o tal japinha (que, aliás, se chama Mauro Motoki), até que eles vieram tocar aqui em Juiz de Fora, em um lugar a mais ou menos 20 minutos da minha casa. E eu não fui.
Não me pergunte por quê. Não lembro.
Aí uns três meses depois, pra minha felicidade eles voltaram pra tocar naquele mesmo lugar vizinho da minha casa.Eu fui? De novo não.
Não me pergunte por quê. Não lembro. [2]
Não me pergunte por quê. Não lembro.
Aí uns três meses depois, pra minha felicidade eles voltaram pra tocar naquele mesmo lugar vizinho da minha casa.Eu fui? De novo não.
Não me pergunte por quê. Não lembro. [2]
Cheguei então à seguinte conclusão: “Dois shows em três meses... já era, tão cedo eles não voltam!”.Mas quem disse que o Ludov é uma banda previsível? Dali a outros três meses lá estavam os cartazes espalhados pela cidade anunciando novo show deles.
Eu já tinha perdido duas chances, não perderia a terceira por nada!E então eu fui.
Em plena quinta-feira o Muzik (o tal lugar perto de casa) lotado. Banda de abertura:Radiocafé, daqui de Juiz de Fora. Eu nunca tinha assistido show deles, achei bem legal apesar do pequeno problema técnico que tiveram(a corda do baixo arrebentou e demorou uns bons minutos pra resolver a situação. Enquanto isso o guitarrista aproveitou e tocou “Wave” do Tom Jobim) foi um bom show. O quarteto mesclou boas músicas próprias com alguns covers que poucas bandas daqui de Juiz de Fora tocam (Weezer,QOTSA,Kings of Leon...) e uma do bom e velho Los Hermanos (Retrato Pra Iaiá).
Apesar do bom desempenho do Radiocafé o que a galera queria mesmo era o Ludov e finalmente começou.Todo mundo ali já era fã, sabia todas as letras, já era público ganho e tal, mas o Ludov arrebatou qualquer possível não entusiasta da banda já na primeira música.
Carismática até o último fio de cabelo a vocalista Vanessa Krongold começou uma partida na qual o Ludov jogava em casa com um gol de placa: “Trânsito”. Daí pra frente foi um verdadeiro show de bola: tabelinhas entre Eduardo Filomeno(baixo) e Chapolim(bateria), jogadas não ensaiadas entre Habacuque(guitarra e voz) e Mauro Motoki (guitarra,teclados e voz) e gol atrás de gol, um mais bonito que o outro:"Kriptonita","Gramado","Sete Anos","O Dia Em Que Seremos Felizes","Dois a Rodar","Da Primeira Vez"(a minha preferida),"Princesa"(cantada em uníssono pelos presentes), entre outras.
Sabe quando você sai de um show sabendo que dali pra frente você irá em todos os próximos shows que aquela banda fizer na sua cidade? Foi assim que eu saí do show do Ludov. E quando eu cheguei em casa advinha o que eu fiz? Coloquei o Dois a Rodar (EP que tem seis ótimas músicas deles, inclusive"Princesa") pra tocar.
Cheguei à conclusão de que Ludov nunca é demais.
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música
segunda-feira, 3 de julho de 2006
Da existência do blog
Já perdi as contas de quantas vezes comecei a escrever blogs e os abandonei. Na maioria das vezes por falta de tempo, e ainda algumas outras por falta de interesse.
A verdade é que eu sempre quis ter um blog legal. Um blog que não soasse banal, mas que também não fosse uma pilha de pseudo-intelectualidade inútil. Eu queria ter um blog leve e inteligente, engraçado e reflexivo, cool e descontraído.
Mas, por incrível que pareça ser simples é muito difícil. Não é fácil também não cair nos clichês dos diários pessoais e descambar para um narcisismo ilimitado.
Não quero ficar horas discorrendo sobre a minha vidinha chata, mas também se eu falar só sobre coisas externas, o blog não tem tanta graça. Vai virar uma espécie de jornal atrasado e desinformado que ninguém, nem mesmo eu, vai querer ler.
O interessante daquilo que chamam de “escrita de si” é mais do que falar de si mesmo. É falar do mundo que te cerca através dos filtros da sua consciência e experiência, é contar não só a sua vida, mas sim todas as impressões da vida em geral que você tem através de todas as perspectivas que se apresentam aos seus olhos. Difícil sim, mas não impossível.
Para finalizar, comunico então que farei essa última tentativa de manter um blog. Sem obrigações,prazos ou cobranças...deixarei as palavras livres, pra se esconderem ou pra fluirem. Vou me guiar pelo princípio da incerteza: quanto menos intervenção mais verdade. E nisso eu acredito.
A verdade é que eu sempre quis ter um blog legal. Um blog que não soasse banal, mas que também não fosse uma pilha de pseudo-intelectualidade inútil. Eu queria ter um blog leve e inteligente, engraçado e reflexivo, cool e descontraído.
Mas, por incrível que pareça ser simples é muito difícil. Não é fácil também não cair nos clichês dos diários pessoais e descambar para um narcisismo ilimitado.
Não quero ficar horas discorrendo sobre a minha vidinha chata, mas também se eu falar só sobre coisas externas, o blog não tem tanta graça. Vai virar uma espécie de jornal atrasado e desinformado que ninguém, nem mesmo eu, vai querer ler.
O interessante daquilo que chamam de “escrita de si” é mais do que falar de si mesmo. É falar do mundo que te cerca através dos filtros da sua consciência e experiência, é contar não só a sua vida, mas sim todas as impressões da vida em geral que você tem através de todas as perspectivas que se apresentam aos seus olhos. Difícil sim, mas não impossível.
Para finalizar, comunico então que farei essa última tentativa de manter um blog. Sem obrigações,prazos ou cobranças...deixarei as palavras livres, pra se esconderem ou pra fluirem. Vou me guiar pelo princípio da incerteza: quanto menos intervenção mais verdade. E nisso eu acredito.
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